terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Do Estilista

Como funciona? Eu liguei pro Sommer e perguntei se tinha algum look que poderíamos fazer pro desfile dele, Inverno 2011, na SPFW. Ele disse que sim. Aí eu fui até ele e conver$amos; voltei pro ateliê com os croquis e tecidos. Foram 5 looks e 5 reformas que eu fiz. Alguns caíram na edição (David Pollak);

mto gatos - Aí eu já havia levado de volta pra eles as pilotos no algodão crú a serem avaliadas; modelagem, soluções de acabamento e o próprio design; o Sommer tá fazendo uma curva na lateral da peça; o Ricardo Tupinambá tava ajudando e eu pedi pra ele virar pra foto; :p

Depois disso atualizei os moldes e fomos pro corte e costura das peça finais;
 Veja o mapa (antes do molde) da parte de cima de um vestido (na metade depois espelha pq é simétrico);
 Abrí o volume dos franzidos;
Espelhei, passei a limpo, aí tem as 3 camadas de saia; corte, costura, acabamentos;
Aqui quase pronto, faltavam alguns acabamentos;

 na passarela;


Voil, para um vestido de 3 godês sobrepostas;

 Com o styling, a bermuda eu que reformei também;

 Moulage do Blazer, particularmente elogiado no Globo. A Jú que linda focada;

Duas partes distintas - a da esquerda com caimento de casaco e a da direita acinturada como um blazer; Só na moulage mesmo.
 Esse colete deu muito trabalho (as outras metades do blazer); fiquei horas só solucionando- essa parte vazia preenchi com a manga do casaco, inclusive a gola e a cava, foi punk. Pena que os sites de moda não põem as costas dos looks.

 Esse fechou o desfile; A gente armazena os moldes em envelopes.



***



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fluidez e Qualidade

Engraçado,
eu tava lendo um livro do Bergson que fala que o nosso cérebro, como já sabemos, percebe o tempo e o movimento em flashes sequenciais.

                                                                       Imagem: Raquel Uendi

O tempo, para nós, são vários momentos sobrepostos. Mas ele disse que isso está em desacordo com a realidade. Que o momento é uma parada virtual do tempo.. O tempo, na verdade, não pode ser sobreposto assim, ele é fluido. Isso é muito legal e ajuda muito na nossa busca por qualidade.
Outro livro que eu li (O Artífice, que significa artesão - aloca), mostra como o planejar algo pode empobrecer o resultado; que as peças feitas nelas mesmas, parte por parte (seria como uma criação na moulage) trás resultados mais coerentes e incríveis. O planejamento seria pensarmos só nos momentos, em técnicas já dadas, o que tira a fluidez do processo. Tudo pode acontecer.

Tudo é possível, pois nada está dado; o objetivo (plano) é uma ilusão. Temos que fazer as coisas do modo que elas devem ser feitas na hora, no local, acontecendo, fluindo. A pré-determinação é uma bobagem, frustrante e triste. “E se?”? Existe. Precauções e intuições. Partem do que está fluindo. Percepções íntimas do movimento que permitem o manejo. Ginga. Dança. Saltos e obstáculos. O mundo não é, ele vive. Pulsa e despulsa ao mesmo tempo num “jorro eterno de novidade”.

Não adianta tentar prever, o negócio é viver mesmo.


O que isso tem a ver com a construção de roupas? Sei lá, talvez ajude a gente a se preocupar menos com o padrão que já existe. Descobrir meios e soluções que sejam adequados àquela peça sim si.
E na criação, a troca do rearranjo do preexistente pela novidade radical.



Chique.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cintura Baixa

A calça de cintura baixa (ou saint-tropez) é um dos ícones da moda no Brasil. As mulheres aqui têm, em geral, o quadril muito largo e volumoso. Elas gostam de exibir esse contorno do corpo, o que é muito compreensível, as ancas são um sinal de fertilidade desde a pré-história. A Vênus de Willendorf (escultura mais antiga de que se tem conhecimento), tem entre 20.000 a 25.000 anos e era um padrão de beleza numa época em que o Homem era nômade e bastante conectado à natureza; afinal, quanto mais gordura na região pélvica - mais a mulher aquece o feto que ela possa abrigar.







A forma mais adequada de se contornar esse sinal fertilidade é com a cintura baixa;
pensando em uma calça feita com um tecido que não é uma malha (legging) e portanto não híper estica para se adaptar às curvas do corpo, ficaria complicada a vestimenta nessa região tão íngreme; por mais pences que possa ter a peça, ela nunca poderia estar 100% contornando o quadril pois reteria os movimentos de quem a possa usar. Teria que deixar uma folguinha. A saint-tropez entaça perfeitamente o quadril volumoso da mulher, precisando de um recorte atrás, pala, ou, mais comum, o próprio cós. Ele é largo para fazer o recorte justamente no pico de curva da bunda.

Funcionamento do Recorte em uma roupa para Volume from Sergio Caldas on Vimeo.


Nesse exemplo, a pala (parte em azul), funciona como recorte para dar o volume do edí;

É tao ncessario esse tipo de contorno para vestir o quadril largo que mesmo as calças de cintura alta, quando pegaram aqui no Brasil (no Brás etc), vieram com um recorte na região pélvica. Eu chamo de “recorte saint-tropez”. Sem esse recorte a calça seria obrigada a ter pregas.

Na ilustração, estou mostrando que para o tecido alcançar o corpo sem recortes ele deve ter pregas; não bastaria recorta-lo no contorno do corpo, pois não daria movimento nem vestibilidade.
Veja o recorte saint-tropez;

Portanto, aqui no Brasil, onde as mulheres se exibem muito para os homens, que as assistem, a cintura-baixa é muito bem-vinda. Talvez ela pare de ser usada pois causa uma deformação horrível no corpo, como todos sabemos. A bela curva da cintura para o quadril passa a ser quebrada formando um pneu. Muitas mulheres insistem em usar a cintura baixa mesmo com o pneu caindo por cima do cós, algo que pode ser considerado Horror Trash B (para os que tem um senso estético minimamente apurado).



As ilustrações são desenhos meus; o vídeo a Raquel Uendi me ajudou a editar (som); esse raciocínio eu tive enquanto conversava com a Carolina Scagliusi e o Leon Gurfein.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Primeiro vídeo do Ateliê!

Untitled from Sergio Caldas on Vimeo.



Eu costurando um zíper de metal numa das calças da Lovefoxxx (linho com elastano);
Vou sempre por vídeos, amei!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Lovefoxxx Figurino III - Viés

Muitas vezes olhamos para uma roupa e fazemos uma careta espontânea, alguns diriam "roupa de pobre!!"(kkkk..), outros "roupa ruim" sei lá. Outras vezes, sem perceber, levantamos as sobrancelhas e afirmamos com a cabeça, significando que a roupa em questão passa a sensação de aprecio. Leigos não sabem identificar o que, em uma roupa, traz essa sensação.
Aqui vou publicar sempre partes do processo que enriquecem uma roupa. É bom para não comprarmos peças ruins iludidos pela imagem da marca. Hoje vou mostrar o aviamento viés, que estou usando para parte do acabamento interno da calça final (serão feitas duas iguais) de linho com elastano, encomendadas pela Fábia Bercsek para compor o figurino da Lovefoxxx na turnê do Cansei. Duas para se por um caso uma rasgue (a bi se joga no palco).
(só pra deixar claro, sem querer me estender muito, viés é uma posição de corte da peça no tecido, 90graus em relação à posição habitual. O aviamento viés é cortado nessa posição)
* Pus umas florzinhas na janela*

 Riscando para cortar. Depois da primeira prova que eu postei nós decidimos mudar muita coisa na calça, agora fica surpresa!

 Preparado para por o viés

 Braguilha e gancho da frente com o viés




Depois tem as calças prontas, aí vai dar pra visualizar tudo melhor

sábado, 25 de dezembro de 2010

Figurino Lovefoxxx!

Finalmente foi a segunda prova do blazer da Lvxxx e também a primeira prova da calça que acompanha o blazer!  A peça que foi feita com a modelagem que eu fiz pro desfile da Fábia Bercsek ficou pronta também. Foi costurada num tecido furadinho de poliéster vermelho babado.
Para o Blazer eu e a Fábia compramos um brocado bafo de fios metálicos que entretelei todo (com a ajuda da minha nova assistente Juliana Mathias!!). Entretela pra quem não sabe é um tecido com cola que é termocolado com o ferro de passar na peça, pra ficar mais dura; blazeres bons são sempre entretelados inteiros, camisa quase sempre na gola e punho, perceba que é mais durinho.

 Corte da calça no algodão crú (muito bom pra fazer piloto, aponta os defeitos de vestibilidade); gosto de papel de ploter pra fazer modelagem pois é branco, da mais clareza ao molde e traz elegância e respeito à peça durante todo o processo;
 Desenho técnico da Fábia Bercsek
 Bolso faca (fora da calça)
 Tem revel e tudo, não é porque é figurino que pode ser podrera, aliás, é bom que a pessoa que vai usar se sinta chique e as fotos podem estar num close;
 Essa parte é a da frente já com o bolso, separada do resto da peça;
 Ay que locura; o vermelhinho é o viés que faz o acabamento do cós por dentro; se tiver alguem da singer lendo, aloca, essas maquinas industriais deveriam vir com luzinha quenem as caseiras;
 Piloto pronta!

 A Ju cortando o blazer pra segunda prova (dessa vez no tecido original)
 Passamos na overloque as partes individualmente, depois de entretelar, pois o tecido tende a desfiar muito e na peça forrada não poderá ser vista a costura da overloque, o que num blazer ficaria deselegante;

Casca da frente
 Eeee!! deu certo ficou lindo, vamos fazer um pequeno ajuste na cava só;
 A gola é com o tecido no avesso (as flores douradas ficam pretas);
A capa!! Ficou Muito Chique, tipo Zé do Caixão nowadays-style; A capa inferior tem uma fenda pra passar a mão, no ombro tem 3 preguinhas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mudança de Endereço!

Meu ateliê ficava em casa, no meu quarto; a galoneira ficava na dispensa. Quando vi a necessidade de ter mais uma mesa resolvi alugar uma sala aqui perto, 3 quadras de casa. Muito simpático o lugar, a sala é pequena mas coube tudo perfeitamente! Terminei de arrumar, só faltam uns ajustes finais agora. 
Rua João Carlos da Silva Borges, 885. 

 To com mania de pendurar as coisas na parede
Mesa de corte, overlock e galoneira; os moldes que eu to usando eu gosto de deixar na cortiça 


Mesa de modelagem

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Moulage na Bourrage

oi? Moulage é uma técnica de modelagem na qual se trabalha com o tecido direto sobre o busto. Dar uma pirada é sempre um pouco mais fácil do que realmente tirar um molde dali. Tem que ter mão treinada e envolve várias técnicas de manuseio muito sofisticadas (é um bafo). A roupa sorri.
Bourrage é quando esculpimos no busto, com manta acrílica, um novo corpo. Muito interessante pra sob medida ou marcas com público bem específico, tipo de velhinha (fazer uma corcundinha).
Para deixar claro, essas técnicas são muito sofisticadas (quando usadas direito); é raro encontrar quem trabalhe com elas. O exemplo das velhinhas com certeza não existe no Brasil, elas mandam fazer sob medida ou ficam com uma roupa com caimento ruim mesmo. Uó.
De qualquer modo tive a honra de aprender essas técnicas com uma das prós do Brasil no meio, Ozenir Ancelmo, a Zê.
Ela dá cursos (graças a deus).
Nesse caso fizemos uma bourrage de um corpo do começo do século XX (à partir de uma imagem) que era muito diferente do nosso. Em cima dessa bourrage fizemos uma moulage. Tenho foto do começo dela.

 Essa peça, no seio, possui uma pence morta (pence morte), uma maneira de moldar o tecido no corpo muito sofisticada; no molde não há pence. Quem sabe sabe e não ensina! rs.. brincadeira quem quiser eu conto mas tem que entender
 O peito foi muito preenchido bem como a bunda. Vai recortando a manta e aderindo as camadas, com alfinetes ou, melhor, com alinhavo.

Esse é um pedaço da turma; essa chiquérrima dando aula com um basset no colo é a Zê, um prazer inestimável conhecê-la.


Vira e mexe vou por um post mais "didático" porque senão ninguém entende. É bom pra quem acha(va?) que moda é bobagem..

Casaco Jeans

Esse casaco fiz pra faculdade (aula de modelagem e aula de costura); era pra ser uma jaqueta mas deixaram eu fazer assim, achei que jaqueta com esse jeans ia ficar meio marabraz, luxo, mas não tava afim.
Não é que ficou LINDO na Luna!? Fiz a modelagem pensando na Carina Bueno e costurei pensando na Luna, olha só, dá certo. Ele é todo na costura francesa (um parto), inclusive a manga de duas folhas - de blazer - que agora ja sei que praticamente não existe com costura francesa (que é a costura que fica essa canaletinha; muito usado pra pala de camisa). Fiz bolso cangurú porque acho um charme quando bem usado!

       franzida atrás, funcionou com o jeans pesado (11oz pra qm entende)
a manga, na Luna, deu uma travada no punho mas ficou fofa, não retorceu pra trás porque é duas folhas

essa ficou bafo e o Fe Dalvi Brother's deu uma arrumada pra mim